quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Não ouvi meus pais e BALEI na vida...



Este titulo, é a resposta que obtive de um jovem de 24 anos, que encontrava-se preso em uma delegacia em que trabalhei, condenado por ROUBO. Foi condenado a 09 anos de reclusão. Ele pertencia à facção criminosa do Rio de Janeiro, Comando Vermelho.

Certo dia, ao entrar na carceragem, me dirigi à cela conhecida como seguro.
Nesta cela ficam os presos de nível superior, os de pensão alimentícia e aqueles que se encontram ameaçados de morte por sua facção.
Ao chegar à mesma, expliquei pros aproximadamente 25 detentos que havia nela, que eu escrevia alguns jornais e que, em cada um deles eu reservava uma coluna, onde escrevia matéria sobre os males que as drogas causam, tentando desta forma, conscientizar as pessoas.

 E pedi que, se algum deles tivesse entrado no mundo do crime, em virtude das drogas, e quisesse colaborar que me redigisse uma carta narrando como foi sua trajetória, até que culminasse em sua prisão; para que isto pudesse fazer com que aqueles que usam, refletissem e os que não usam, evitassem. Neste momento, perguntei a um deles, o porquê de estar preso. Foi quando me respondeu:

 ‘NÃO OUVI MEUS PAIS E BAILEI NA VIDA..."

Na semana seguinte, ao retornar pra delegacia, o carcereiro me entregou três cartas. Duas, eu quase não consegui ler, devido à caligrafia e erros de português. Mas a outra, tinha uma linda caligrafia e um bom português. E pra minha surpresa, era a do rapaz que me deu essa resposta, que ora, trata-se do titulo desta. Eu não vou identificá-lo, mas vou transcrever na integra todo o teor de sua carta, sem ao menos fazer as devidas correções. Abaixo a referida carta::

"Meu nome é WFV, conhecido como W.I. Tenho 24 anos e, a pedido do Inspetor Chagas, vou narrar-lhes como iniciou o fim de meu promissor futuro e o de minha liberdade.

Eu tinha apenas 14 anos e pertencia a classe média alta do bairro Leblon no RJ. Meu pai era médico e minha mãe executiva de uma multinacional. Nós tínhamos uma casa de veraneio em uma praia de Angra dos reis, no RJ. Todos os finais de semana prolongado e férias, viajávamos pra lá, onde descansávamos do estresse do grande Rio.Eu adorava e meus pais também. Éramos uma família feliz e bem estruturada. 
Lá eu tinha muitos colegas que, como eu, veraneava e outros que lá residiam. À noite, eu ia pra praça, onde jogava games e conversava com meus colegas. Por ser muito tímido, eu não tinha namorada.


Certo dia, um rapaz que era muito conhecido na cidade, me convidou, junto com meus amigos, para uma festa americana, que seria realizada em seu sítio. Para aqueles que não sabem, festa americana, é aquela em que os rapazes levam as bebidas e as meninas os pratos. No dia da festa, lá pelas 22 h, o dono da festa, chegou com uma certa quantidade de maconha, oferecendo a todos nós. Eu nunca havia usado e nem cigarro fumava. Mas como meus amigos começaram a fumar e algumas meninas também, eu, com vergonha de dizer não, apesar dos conselhos de meus pais, também usei.

Ao terminar de usar, cheguei à conclusão de que meus pais exageravam e que não tinha nada demais. Pois fiquei mais alegre e menos tímido, chegando até a ficar com uma menina que também usou.

Só que eu não tinha a menor ideia, de que, aquele dia foi o início de meu fim. Por ter achado legal, eu passei a usar sempre que ia pra Angra. E no início, eu não comprava, pois meus “amigos” me davam. Com o passar do tempo, passei também a usar no RJ e embora eu não acreditasse que estava me viciando, logo fui apresentado à cocaína. 

Por ser uma droga mais forte, seu efeito era mais rápido e prolongado. Nesta altura, eu já sentia vontade de usar todos os dias, mas ainda acreditava que não estava viciado e dizia pra meus “amigos” que na hora que eu quisesse, não usaria mais. À medida que aumentava meu desejo de usar, começou também a dificuldade de conseguir de graça, e passei a comprar.


Meu comportamento em casa começou a mudar e meus pais começaram a desconfiar. No colégio, meu desenvolvimento despencou. Eu passei a “matar” aulas, pra consumir drogas com os “amigos”. Com a desconfiança de meus pais, iniciaram as desavenças em casa. 

Meus pais então, cortaram minha mesada. Diante disto, comecei a furtar, de minha própria casa, objetos de valores e jóias de minha mãe, que trocava por drogas. Com isto, passaram a ter certeza e eu, que já tinha nesta época 19 anos, fui colocado por meus pais, em uma clínica de recuperação. Algum tempo depois, tive alta e jurei pra meus pais que jamais usaria drogas. E eles, acreditaram!

Alguns dias após, eu voltei a me encontrar com meus “amigos” e tudo começou outra vez. Com isso, novamente, tornei a chegar em casa, totalmente drogado. Minha mãe chorava dia e noite; meu pai me ameaçava a entregar-me a polícia. Certo dia, eu voltava da rua já de madrugada e vi meu pai no jardim, pela primeira vez chorando. Ele não me viu! E pude ouvir o que falava, olhando pro céu e chorando: 

“MEU DEUS, AONDE FOI QUE ERREI? AMO ESTE FILHO E SEMPRE FIZEMOS TUDO POR ELE. FREQUENTOU OS MELHORES COLÉGIOS, NUNCA LHE FALTOU NADA! POR QUE TEMOS QUE PASSAR POR ISSO?”.

 Sem que percebesse, retornei pra rua e voltei a me encontrar com meus “amigos”. Nesta madrugada, me convidaram pra praticar uns assaltos a casais de namorados, que ficavam em locais desertos. Eu seria o motorista e meus dois companheiros, renderiam as vítimas. Com o produto do roubo, compraríamos cocaína e pagaríamos o que devíamos na “boca”. Imediatamente
aceitei!

Praticamos uns três assaltos e, quando íamos praticar o quarto, fomos surpreendidos pela polícia. Houve perseguição, e na fuga, bati com o carro e fiquei desacordado. Acordei no leito de um hospital, algemado a cama e escoltado por dois policiais militares. Ao ter alta, fui levado pra delegacia, onde fui encarcerado. O Carcereiro, ao abrir a cela, me disse: “Bem vindo ao inferno!”.

Meus pais gastaram tudo que tinham com Advogados, em busca de minha liberdade, nossa casa de Angra e os demais bens, foram vendidos. Mas, mesmo assim, fui condenado a nove anos de reclusão em regime fechado. 
Meu pai, de desgosto e vergonha, adoeceu e veio a falecer. Aqueles que eu considerava amigos, mas que na verdade, eram meu passaporte para o crime, nunca me visitaram. Hoje, minha única visita é a de minha mãe, que a cada dia, vejo definhar e sei que, em breve, não a terei mais.

Já tentei por duas vezes, me suicidar, mas meus companheiros de cela, impediram. Uma senhora evangélica, que chamamos de tia Lívia, que vem sempre aqui pregar a palavra de Deus, me disse que Deus tem um plano pra mim. E, por isso, não logrei êxito, ao tentar o suicídio. 

Eu a perguntei, o porquê de Deus, não ter se feito presente em minha vida, antes de eu ter cometido este crime e me envolvido com as drogas. Ela me respondeu que Ele, sempre esteve presente. Fazia-se presente, nos momentos em que meus pais me aconselhavam, mas ao não ouvi-los, estava dando a costas pra Ele".

Por isso, é que agora eu digo, com toda convicção: 
NÃO OUVI MEUS PAIS E BAILEI NA VIDA!”.

Diante de meu relato, posso lhes falar com a máxima certeza:

Seus verdadeiros amigos são os seus pais, os demais são na maioria um PASSAPORTE PARA O CRIME!”.

PEDRO CHAGAS

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Polícia, meu nome é "DI MENOR"!



23 de dezembro de 2006, eu subia um morro de uma comunidade do RJ, com minha equipe, para resgatarmos o corpo de um jovem que havia sido assassinado pelo tráfico. 

Pois sou um agente da CORE. E entre as vielas pelas qual passávamos, de repente avistei um menino franzino, que aparentava não ter mais que 11 anos. Ele ao nos ver, tentou correr e em suas mãos parecia levar algo que a princípio julgamos ser uma arma. 

O cercamos e ao me aproximar do mesmo, que estava hiper assustado, percebi que o que levava era uma sacola com um salgadinho e um pedaço de pão. Tentei acalmá-lo perguntando seu nome e ele me respondeu: “Meu nome é DI MENOR polícia” e com os olhos repletos de lágrimas pedia: Não me mata não! Passei a mão em sua cabeça e lhe disse: 
Que isso garoto! 
Somos seus amigos!


Amarre seu cadarço, se não você vai cair. Trêmulo, tentou amarrar o cadarço. Ao ver que não conseguia, me abaixei e o fiz para ele, enquanto apoiava uma das mãos em meu ombro. Perguntei onde morava e ele me apontou um barraco mais acima. E lhe disse: Vamos lá amiguinho, vou te levar em casa.

Ao chegar à casa do menino, encontrei uma senhora e mais quatro crianças menores que o menino Maicon. 
Há, o nome do menino era Maicon! 
Ao perguntar a ela, por que deixava o menino sair na comunidade num momento como esse, em que havia tiros a todo instante. Ela me respondeu da seguinte forma:

 “Moço, dentro de nosso barraco eles não estão mais protegidos do que na rua"

Pois não temos a proteção de seu colete que é a prova de balas e as paredes são de tábua. E foi para a rua, tentar conseguir algo para comermos, pois nada temos em casa. Ele trabalha no semáforo fazendo malabarismo. (Sem dar trégua para que eu retrucasse, como se eu tivesse algo para falar diante do que me falava, ela continuava falando sem parar).

Olha lá para baixo moço. Ver aqueles prédios de luxo? Pois é... Lá todos se preparam para o NATAL, fartura de comida, presentes e até papai Noel tem. E nenhum deles olha para cima. A não ser para reclamarem de Deus,mesmo com a barriga cheia, quando algo não dá certo. 
Talvez se olhassem, nos veriam aqui nessa miséria. E lá moço mora justamente aqueles que deveriam olhar pela gente e buscarem para nós uma vida mais humana. Mas só sobem aqui em busca de voto, prometendo isso tudo. Sabe moço, não quero para meus filhos essa vida de tráfico, mas acho muito difícil mantê-los longe de onde vem o único socorro que conhecem. 

Pois são os meninos do tráfico que às vezes nos ajudam. E como negar? Se não temos alternativa? Moço, somos os excluídos da sociedade! Neste momento ouvimos uns tiros e fomos em direção ao local. Mas as palavras da daquela senhora e o olhar do Maicon, não saiam de minha cabeça. Pois eu sabia que ela falava verdade no que tange o abandono por parte das autoridades. Mas o que eu podia fazer?



Ao acabar a operação fomos embora. Mas minha mente ficou naquela cena e o desabafo daquela senhora não saia de meus pensamentos! Fiquei tentando imaginar se MAICON não se envolveria com o crime, haja vista que tinha tudo para envolver-se com o tráfico, uma vez que a própria mãe, para justificar o abandono por parte das autoridades, enaltecia o tráfico, ao dizer que dele vinha o único socorro que conhece... E medida que pensava nisso, me sentia cada vez mais impotente e angustiado.

Em março de 2005 voltamos à mesma comunidade para conter uma guerra do tráfico e resgatar uma equipe de policiais que se encontrava encurralada. Já havia corpos de traficantes que foram mortos no tiroteio. 
E o MAICON na época com seus 15 anos, infelizmente, estava entre eles.



Foi quando me lembrei da frase do CHICO XAVIER, onde ele dizia assim: 

“Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".

Por isso, escrevo em meus jornais e site, matérias combatendo o tráfico, através da informação, tentando dessa forma orientar sobre os males que as drogas causam e por diversas vezes criticando a atuação daqueles que estão no poder e nada fazem para mudarmos esse quadro.

Foi a forma que encontrei para dar minha contribuição em busca de um NOVO FIM!

Pedro Chagas
(Inspetor de Polícia civil)


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Um Câncer chamado Corrupção!


Fomentada pelo egoísmo, ambição e a ausência de caráter; destroem sonhos, projetos, esperanças e "freia" o progresso. Assim como o câncer que ataca os órgãos de um ser vivo, ela inicia seu ataque em silêncio. Não pode ser combatida por químio ou rádio. E sim pela nossa branda “MÃE LEI” que como quase todas as mães perdoam ou aplicam leves correções. 


E por isso, nunca conseguem com que o autor seja “curado” de fato. Está presente em todas as classes sociais e profissões.É anunciada pela imprensa em destaque, na maioria das vezes, quando detectada em algumas profissões que são consideradas modelo em idoneidade. Eu disse “considerada”! Como por exemplo: POLÍTICOS E POLICIAIS

Alimentada” pelo egoísmo daqueles que em busca de vantagens rendem-se a ela, sem pensarem no mal que estão causando. Uma vez que a corrupção desvia desde os impostos que deveriam ser empregados em melhorias que beneficiariam a todos, através de obras e projetos sociais... A subtração de verbas em obras superfaturadas, desvio de merenda escolar, remédios e a permissão da entrada de armas possantes em nosso país, que tornam os traficantes do narco tráfico ousados e destemidos; assim como diversos tipos de drogas, responsáveis pela destruição de sonhos e vidas.


Disseminada pela AMBIÇÃO e a falta de CARÁTER, daqueles que a cometem, justamente por terem pleno conhecimento da impunidade e das brandas penas de nossa “MÃE LEI”. 
É propagada justamente por aqueles que se rendem a ela em virtude do egoísmo, que só permite que pensem em suas vantagens. O que torna difícil seu combate.


Recentemente presenciamos com grande admiração e orgulho, por ser uma atitude rara, embora não devesse ser a iniciativa do MINISTRO JOAQUIM BARBOSA... 
Que demonstrando CARÁTER E UMA MORAL ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA, colocou na cadeia alguns personagens de nossa política, autores dessa ""MACRO VERGONHA". 
Mas para nossa tristeza este nosso herói, ausentou-se de nossa política, ao solicitar sua aposentadoria precoce.
E assim, continuamos órfãos e desprotegidos desse Câncer, até que surja outro como o MINISTRO JOAQUIM BARBOSA.
Tudo isso poderia ser diferente. E lhes garanto que esse Câncer tem cura! Mas não podemos contar com a “Mãe lei” e nem ficarmos esperando que surja um novo Joaquim Barbosa. Isso é quase impossível!
É necessário sermos menos EGOÍSTAS, pensarmos um nos outros e unirmo-nos. E com manifestações pacíficas e ordeiras, demonstrarmos nossa indignação, de que não suportamos mais conviver com esse mal. 





Precisamos denunciar o policial corrupto, para que seja excluído da corporação e posto na cadeia, local para onde todos corruptos deveriam ir. Mas nunca se render a sua atitude ao lhe exigir propina para livra-lo seja lá de qual for o problema. E assim mantermos moralizada essa classe tão ilustre e importante em nossas vidas.

É preciso denunciar os políticos da mesma forma. Mas esses só conseguirão que sejam punidos e exonerados, e talvez presos, se nos unirmos e fizermos manifestações como recentemente presenciamos em vários estados, mas de forma pacífica, protestando contra a corrupção e a favor da revisão de nosso código penal com a criação de penas mais severas.

Precisamos de atitude! É preciso denunciar todas as formas de CORRUPÇÃO. Enquanto não nos abstermos do EGOISMO e tomarmos essas atitudes, continuaremos a sofrer com as consequências desse câncer social que é a CORRUPÇÃO.

Pedro Chagas 
(UM TIRA METIDO A ESCRITOR).

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